A juventude contemporânea está preocupada com o corpo e os gozos, como cita o francês Charles Melman no seu livro “O Homem Sem Gravidade, Gozar a Qualquer Preço”. Preocupa-se muito com o imediatismo e os excessos. Coloca o prazer na frente do saber e a estética em detrimento da ética. Parecem loucos pelo celular; nunca vi tanta demência. Eu nisso tudo fico extremamente atônito, sem direção. Fácil é ser classificado e rotulado a bem querer por não seguir os clichezinhos da sociedade e ainda ser acusado por insanos.
O negócio é serio - as crianças brincam de ser gente grande já podendo ser tratadas como mercadorias pela Mattel; aprendem cedo a serem individualistas e consumistas. Fosse eu Deus, já fabricava as pessoas com Bluetooth para quando alguém quisesse amar era só ligar o troço e passar para o outro todo o amor; quando alguém sentir ódio só era pedir para o outro ligar o Bluetooth e pronto; fazer sexo então, nem se fala. Hoje tudo tem que ser tão rápido e mecânico que não duvido.
Acredito também que existe uma indústria, que, como diria Descartes, seria planejada pelo "coisa ruim" para enganar os entes. Essa indústria, entendo eu, é a publicidade, ajudando os entes como um “grande amigo” nas suas escolhas. Tudo do jeito que o diabo gosta. Querido seria Deus se eu estivesse enganado, mas penso que não estou. As pessoas têm a grande ilusão de que estão fazendo tudo o que querem, que ninguém interfere nas suas escolhas, nos seus comportamentos, que elas de fato escolhem o que bem entenderem sem ninguém se imiscuir. As pessoas estão realmente doentes. Creditam ao inexistente aquilo que não é real. Não sabendo o quê e quem comandam nossas vidas. É preciso usar escudo para não sermos devorados. Existe uma máquina que investe tudo para nos perturbar. Isso vai da televisão à política, da música à literatura, passando pelos conselhos de Edir Macedo e de Luciano Huck.
Enquanto o país sofre pelas mazelas sociais e a criminalidade em níveis insuportáveis, as pessoas elegem a "Mulher-Melancia". Paulo Maluf enche o rabo de dinheiro público, despreocupado, pois sabe que ainda será o deputado mais votado de São Paulo, qualquer probleminha ele diz “Eu nego!” e está tudo bem, de quebra ainda ganha quadros em programas de humor para as pessoas rirem da tragédia. Enquanto o shopping está cheio de alienígenas drogados a polícia matou alguns na favela. Enquanto os ricos estão comprando seus carros, crianças os esperam mais na frente com a mão estendida. Será que nosso cérebro está podre? Porque será que ficamos assim? Ficamos?
Acredito que os excessos da sociedade da tecnologia excessiva, onde tudo tem de ser fácil e rápido, as mentes agruras estão ficando confusas. Roubaram não só a Razão, mas também os sentidos. Uma espécie de loucura coletiva imperceptível, pois acham que tudo isso é normal, afinal é assim praticado por todos. Nesse ambiente qualquer um que venha a ter posições contrárias ao comum é excluído, ridicularizado e, este sim, é chamado de louco.
Esdrúxulos comportamentos nos levarão a pensar as transformações da sociedade sob o advento da pós-modernidade. Será que esse processo é realmente profícuo para a sociedade? Será que realmente isso nos fará evoluir? Será que temos consciência do que fazemos? E a juventude, cadê? Se toda juventude viveu de utopias, esta também deve ter alguma. Mas qual será a utopia desta juventude transviada? Uma calça jeans da Osklen ou um autógrafo da Madonna? Uma BMW ou um Visa International?
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