domingo, 21 de dezembro de 2008

Novas dádivas da música brasileira

Por Renan Oliveira
Que a música passou por uma gigantesca revolução nos últimos anos, e cada vez mais suas transformações são de velocidade, talvez, inimagináveis há cinqüenta anos, isto é fato. Portanto há inúmeros fatores para que, ainda, muitos artistas sejam marginalizados, não por desvalorização artística, mas para o mercado capitalista, pois não existe arte no capitalismo.
Esta semana resolvi baixar, no meu mundo de discos fabulosos, cujo não revelo a ninguém, discos de jovens cantoras brasileiras que, por muitos razões, principalmente mercadológica, são impedidas de mostrar, também, seus belos trabalhos artísticos.

Foram cinco discos: o primeiro foi a Roberta Sá, do Rio Grande do Norte, cuja mora no Rio, com o belíssimo Sambas e Bossas, de 2004, seu segundo disco. Roberta, que largou o jornalismo para seguir suas vocações oficiais, mostra um bom samba com muito violão e clássicos da MPB. A primeira música começa com Cartola passando por compositores de sua geração, sem esquecer-se de Tom Jobim. O segundo Foi de Ana Martins, Futuros Amantes, de 2001. Depois que baixei o disco, ouvir e fui ao Google checar seu currículo e descobrir que é filha da cantora Joyce. O disco, com um samba e uma voz doce da jovem, que canta com, além de João Donato, a própria mãe. Canta Wave em duas línguas além de futuros amantes, música de Chico Buarque que dar título ao disco. Sua voz plácida parece de menina encantada. O terceiro foi Adriana Deffenti, que estuda Licenciatura em música, e seu primeiro disco, Peças de Pessoas, de 2002 é o que ouço. Adriana faz uma boa MPB, que não têm raízes do samba, mas sua estética musical se caracteriza pela batida mais acelerada da bateria e predominância de guitarra. Pode chegar ao Pop com categoria. Foi aclamada pela Veja como a mais nova safra da MPB. A futura professora de música faz seu espetáculo com Pô, amar é importante! a sétima música do álbum e ainda conta com a faixa Going To California, com um violão e belos efeitos. Esta outra garota era para está numa das maiores agências de publicidade da América, a W/Brasil, mas foi o próprio Washington Olivetto que lhe deu apoio para seguir sua carreira verdadeira e gravar seu primeiro disco, em 2005, intitulado Meu, com clássicos da MPB, e músicas de Tom Jobim e Chico Buarque. Neste disco, além de cantar Água de beber, do Tom, ela canta What´s New em língua inglesa, naturalmente. O nome dela é Ana Paula Lopez, de 27 anos. E finalmente- até aqui pelo menos- O disco de Bruna Caram, de 2005. Um disco sublime, de primeira grandeza, de uma garota de 21 anos. Seu som de baladas leves e músicas mais intimistas com influência do violão se destacam muito bem no álbum. A cantora é sobrinha da também cantora Ana Caram. Suas letras falam de amores perdidos e iludidos, perdas e ganhos, sentimentos profundos, sonhos e paixões. Esta menina merece destaque, sem dúvida, pois é uma dádiva que incorpora a alma artística.

Os discos, todos eles baixados gratuitamente na internet, são de grande representação na música brasileira, pois estas meninas da MPB conseguem fazer a hibridez do clássico com o moderno. Estas cantoras são de extrema importância, pois significa que ainda se fazem música autenticamente brasileira e que é preciso mostrar isto. Por isto que a internet é fundamental neste processo.

Elizete Cardoso, Alaíde Costa, Dalva de Oliveira e Elis Regina devem estar felizes em ouvi-las.

A crise como reflexão

Por Renan Oliveira
O ser humano é um animal de transformação perene, pois é um ser inquieto e suas angústias o levam para um patamar de complexidade e confusão devido, ainda, a sua imaturidade de buscar a real significado da essência humana. Outrossim, as construções humanas simbólicas/ materiais se enquadram neste contexto, pois são apenas produtos humanos.

Nos últimos anos crise é a palavra chave/mágica para os canais de comunicação levarem ao público determinado declínio ou problema de algum setor, principalmente os que envolvem direta e indiretamente a economia. Quando isto acontece, todos os olhos se voltam para esta new crisis, nada mais é tão importante, chega a ser tema de capítulo de novela até o colunista de arte, que fala, por exemplo, que não tem público devido a crise. Para as pessoas mais simples, de baixo nível escolar, fica complicado entender “as crises”, pois os telejornais mais complicam do que esclarecem, de modo que, mais aterroriza do que comunica e noticia. Como há muito tempo a impressa perdeu sua credibilidade -se é que já teve- fica difícil saber se realmente há a crise ou se apenas é um jogo ideológico, típico da impressa burguesa brasileira, por conveniências políticas, ora fazendo uma matéria jornalística (?) mal elaborada e confusa, ora colocando um comentarista para reforçar seu ponto de vista. Os colunista e comentarista também são outros que seus discursos estão nas entranhas ideológicas.

Há oito anos quatro crises, destas que, talvez, só existam na pauta dos jornais, tomaram conta dos comentários de boteco de esquina até em bares onde servem uísque 18 anos. Alguém lembra a crise do apagão do ano 2000, pré-anunciando o fim dos tempos? Depois a crise política, devido aos escândalos (?) do mensalão? Há pouco tempo não se falavam em outra coisa que não a crise aérea no país; doutores e especialista comentando e dizendo como deveria ser e acontecer e etc.. Todo mundo sabe de tudo. As crises são complexas, mas as coberturas são sufocantes em curto período de tempo e efêmera; é só esperar a próxima chegar e dar tchau. Neste caso a crise aérea deu lugar a crise moral/conjugal de Renan Calheiros. Queriam saber até porque ele não usou camisinha para comer a Mônica Veloso. A assessoria do senador deveria enviar uma nota à imprensa respondendo: furou!

Há alguns meses vivemos os fins dos tempos com a crise econômica mundial: a tal recessão econômica. O que é difícil saber são suas proporções reais, já que impressa diz que é planetária e devastadora e o governo diz que de muito leve, vai passar triscando na economia brasileira. Aí, ficamos nos discursos bipolares convenientes. Faltam respaldo e respeito de ambas as instituições, para que possamos ter uma consciência verdadeira sobre tudo que nos permeia.

No dicionário da língua portuguesa Melhoramentos, a palavra crise é conceituada como: “período difícil na vida de uma pessoa ou de uma sociedade de cuja solução depende à volta a um estado normal; falta de alguma coisa em vasta escala.” Para a filósofa brasileira Nancy Mangabeira Unger, crise “é o momento onde algo se encontra confuso e é o momento do discernir, do decidir; é o momento do parar tudo para a decisão, para que possamos superar a crise, que é necessária.” Assim, acredito que as crises que nos aparecem, de forma tão fugaz, devem ser pensadas de forma mais crítica e lúcida. Talvez não exista nenhuma crise, exceto a crise governamental, que parece ser perpétua, e da esdrúxula imprensa. Porém acredito quer crise é o momento mais oportuno, como diz Nancy, para o discernir, para o decidir, afinal nossa inquietude é intrínseca a nossa alma, portanto crises há de existir tanto quanto a própria inquietude humana.